segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Oh, I mean this.

Queria não olhar para trás com tanto rancor. Queria não sentir tudo isso. Sentimento de ansiedade e bipolaridade que estão sendo cultivados e machucando dia após dia.
Por que tão rápido? Covarde! Mentiu, atirou pelas costas. Covarde!
Só desejo não mais sentir, não sentir nada. Desejo apenas acordar em um novo dia e não ter vivido nada disso. Não é ódio nem raiva, é o asco pela covardia. É a falta de coragem de fechar os olhos e saltar. E eu saltaria, até dias atrás, horas atrás, minutos atrás. Não vale a pena, não vale a alma, não vale nem por um segundo levar esse pecado para a eternidade, pois enquanto me cubro pelas sombras desse acerbo eu temo ver a alegria que rodeia pelas espreitas do que já foi tão meu.
Já me disseram, o mundo gira, já me convenceram não viver a dor, ela volta, ela vem em maré viva e me abate todo o dia por não saber navegar nesse mar, dentro da escura tempestade que choca meu corpo contra suas pedras ainda estáticas minadas em mim.
Covarde! Meu coração é covarde. Ele teima bater mesmo não tendo o porquê, ou pra que bater. Ela racha e a cada fenda aberta ele transborda o pingo de bondade que ainda me resta.
Chega de carregar o peso de ser perfeita esperando a volta do que nunca foi meu voltar. Chega de me castigar e açoitar meu corpo por cada descarga de sentimentos sujos, escarrados com o peso de uma lagrima que deixaram rolar em mim. Chega de parecer forte, de parecer fraca, de aparecer por ai como se eu não tivesse perdido nada eu perdi. Eu me perdi. Chega! Crueldade gera crueldade e sou eu quem sente o chute no meu peito por tudo isso.
Aproveita o voo, asas de borboleta se desgastam muito rápido com o mal tempo e elas tendem a cair e sem poder voar morrem de fome, morrem sem ter sua flor para sorver. Prefiro meus pés no chão, prefiro ver meu corpo se arrastar, se ferir, mas vai cicatrizar e eu vou continuar de pé sem depender da atmosfera para caminhar.
Essa gente toda errada, lambuzadas por vícios só vão rir quando você afundar. Irão vender a sua alma no mesmo mercado podre onde costumam deixar seus corpos expostos, vão sumir tão ou mais rápido quanto resolveram perdoar. Já vi isso de perto e eu não desejaria nunca ter que ver seu coração lá.
E eu quis dizer tudo isso apenas pra me curar. Não me importo se vão destruir qualquer coisa já construída por mim, eu não preciso de promessas superficiais, de preces adoecidas ao vento. Eu preciso de sinceridade, de doçura, eu preciso de tudo o que eu achava que tinha antes, mas mais do que isso eu preciso apenas me curar e o que tiver que ir que se vá, não preciso de meios termos ou indecisões banais que só atormentaram meu espírito. Eu não tenho medo do que tudo isso vá causar, eu tenho medo de apenas estar deixando minha vida jogada com tanta luz desperdiçada podendo dar a outras pessoas tudo o que está guardado aqui e sendo usurpado, estuprado e violentado dentro de mim.
Eu quis dizer da forma mais aterrorizante toda essa sensação de agonizar e mesmo assim continuo tendo leveza em machucar, por simplesmente não querer machucar.
É hora de deixar de sentir, de abrir o coração pra vida e ver aquele lírio murchar, a árvore secar, o para sempre a se desfazer e parar de lamentar e ver esperança em quem nunca viu nada.
É hora de abrir os olhos e voltar pra casa sem aquelas mãos que um dia chegaram a consertar, ir pelos espinhos e ver as flores que deram o seu passo para a morte. Quem anulava os indícios de tristeza agora os anuncia. Hora de deitar sozinha, esquecer de tudo sozinha.
E eu quis dizer tudo isso.

Save your fuckin self 

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