Acho que tirei isso exatamente quando a minha sobrinha de quase 3 anos disse ao meu cão que estava com medo da chuva que “é só um trovão... já vai passar, não precisa ficar com medo”. Sim, ela sendo uma criança que não tem nem 3 anos completos disse tudo isso como também tinha firmeza e o olhar fixo e verdadeiro enquanto pronunciava sem nem ao menos tropeçar nas palavras, que aquele trovão era momentâneo e que passaria ao término da chuva. Ela tinha a convicção de que por mais assustador que fosse aquele momento para o meu cão, dizer tão poucas palavras com tanta certeza faria o medo dele passar.
E é assim, eu estive dentro da minha tempestade, sofrendo com tanto medo dos trovões que não percebera que aquilo duraria, mas não para sempre. Estive a deriva, solta, perambulando entre árvores correndo o risco de ser atingida por um raio e sofrer ainda mais até que alguém me encontrasse ou eu despertasse a tempo de voltar para casa.
Sei que não estive completamente só, mas abandonei-me de todas as formas e tudo dentro de mim era aquele medo, tudo dentro de mim era estar pedida demais para deixar que o amor voltasse a tocar o meu coração.
Eu agradeço a estas palavras tão doces e de tanta força que só uma criança consegue expressar, essa essência liberou vida em mim, essa doçura tocou meu coração como se uma lança tivesse me transpassado e feito toda aquela água suja da minha própria tempestade escorrer arrebatadoramente do meu interior vazio.
Agora vejo tanto dentro de mim precisando da luz sol para que eu possa cultivar todo esse espaço. Virão sementes, virá mais tempestade, digo com sinceridade que ainda não me livrei de todas essas nuvens e sombras que foram deixadas em mim, porém tenho uma semente tão docemente plantada com vida que na próxima tempestade não vou apenas me refugiar com medo, mas vou sorrir por cada gota que chegar para me irrigar e me dar força para dizer, com tamanha convicção como a que ouvira que vai passar.