sábado, 18 de outubro de 2014

Blame It On The Rain

É difícil recomeçar após tantos sonhos deixados para serem enterrados. É difícil querer ver esperança  no que já morreu. É como se a cada dia você tivesse que deixar grandes partes de você para trás e refazer cada partícula do seu próprio corpo para que não sinta falta daquele que te protegia.
Ás vezes você diz a si mesmo que é melhor assim, diz duramente não mais precisar, até chega a acreditar, mas alguém ainda pergunta, ainda há fotos e palavras espalhadas por ai, há lembranças em cada parte do que era sua rotina, há lembranças até em pequenos gestos, objetos, preces, no caminho de ida e volta para casa, há lembranças em tudo que dificilmente serão apagadas ou odiadas. Foram deixadas ali ao lado do que precisa ser enterrado. 
Parece um adeus que nunca fora dito, como uma folha esquecida no caminho a ser levada pelo vento - sem rumo.
Então você começa a conhecer pessoas, a completar vazios, sente que vai esquecendo, mas é mentira, você não esquece, você tenta não se importar e sente o peito arder por quem, talvez, não sente mais nada.
A vida é engraçada, você deseja friamente que o mundo dê voltas, mas no fundo você apenas quer estar feliz de novo, sorrir de novo e parar de chorar, você só quer um dia não poder lembrar ou sentir qualquer coisa, você quer esquecer o que tanto amou, machucou, sonhou, idealizou, realizou, esperou...
A morte daquilo que ainda está vivo, certamente é a morte mais triste de todas, cada lágrima tem uma lembrança doce afogando o que já fora amargo para quem sabe poder descansar feliz nesta agonia.
E se eu pudesse apenas fazer de você uma lembrança, guardaria você agora no lugar mais sagrado que tenho em mim, para não fazer sofrer quem um dia fora em mim tudo, quem um dia fora em mim inspiração para ser alguém melhor. É no silencio de dias em que consigo sorrir que me lembro de você, é nessa paz silenciosa em que derramo minhas orações a você. E eu me lembro do que eu sempre guardo tão carinhosamente das pessoas que já amei de cada sorriso ou risada, mas de você eu guardo um silêncio eternizado onde eu encontrava paz, quando eu fechava os meus olhos e me dizia "não vou perder você, nunca me deixe ir", é neste silêncio em que tento me refazer me dizendo que seremos melhores do que já fomos, é neste silêncio que juro esquecer todas os dias ruins e passo a separar as boas lembranças a serem guardadas e protegidas. Não vale a pena me desfazer da pureza que um dia eu conheci, é como abandonar um jardim e deixá-lo morrer e o pior de tudo: assisti-lo morrendo enquanto há vida.
Que as lágrimas que caírem docemente regue este jardim algum dia, mesmo que não sejamos nós a recolher todas estas flores. Culpe esta chuva. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Welcome to the party!

E nesse baile quando as máscaras caem o que lhe resta? Nessa dança dos dias, onde você flutua sutilmente esbanjando toda a sua força, quando ela esvair o que lhe resta? Os sorrisos embriagados, os falsos brindes a sua liberdade e estes rostos escondidos por de trás de tanta vergonha, quando o baile acabar o que irá restar?
Restará você, suas asas fracas, sua força dissimulada e sua máscara não mais servirá. Restará seu corpo imerso nesta sujeira. Quem foi você neste baile? Quem é você hoje além de uma insistente aparência em agradar? O que você foi? Você teve algum significado? Você ao menos, por de trás desta máscara, foi real? Você é real?
Estamos na dança dos dias, onde uma alma livre esbanja liberdade sem pensar que amanhã, sozinha, irá limpar toda a sujeira deixada pelos convidados que aproveitam o momento certo para sair sem nem ao menos dizer adeus.

A música está alta demais? Sua bebida está fraca demais? Você quer mais? Falem mais. Riam mais. Sejam algo. Dissimule-se cada vez mais. No final vocês vão limpar a sujeira? Sejam bem-vindos a sua nova casa. Vistam suas máscaras.