Um cristal rachado, derrubado pelo vento, um cristal que já cortou bem fino todos aqueles que já tentaram consertá-lo. Um cristal transparente e sem brilho.
De vez em quando, uma vez ou outra, bem raramente, colocam flores dentro dele, flores sem água, que murcham e ficam algumas pétalas, ou alguns vestígios, apenas pra sentir falta do que já foi, do que já passou por ali.
Eu já segurei aquele cristal entre meus braços, já me cortei com ele, já chorei por ele, hoje vejo apenas a lembrança do bom cristal, que nunca feriu ninguém, que tinha brilho, que guardava as boas flores, hoje só as vejo murchar lá dentro.
Eu daria tudo pra não ficar ali no silêncio da sala vazia. Eu daria tudo pra segurar aquele cristal mais uma vez, faria tudo pra ver as flores vindo e ficando ali, faria tudo pra não vê-lo rachar, nem cortar e não ferir ninguém, daria tudo pra ser o que eu era antes de perder a vontade de ser, antes de me tornar uma promessa superficial.
"Eu preciso da escuridão, da doçura
Da tristeza, da fraqueza
Eu preciso disso"
