Nosso ser é feito de areia fina, se ventar nós nos desfazemos e tudo o que há em nós se perde, se mistura a sujeira de nossos medos. Esses mesmos medos que nos fazem questionar o porquê de estarmos aqui, o porquê de sermos quem somos, para onde vamos.
Desistimos, nos entregamos e nos incorporamos a sombra dessa fraqueza. Não há como lutar, uma vez desfeitos desistimos de tudo o que somos. Vergonha, tristezas, desilusões... Por que cobrimos nossa alma com tanta escuridão?
Há agora apenas uma batalha entre a verdade e o que entendemos, descompreendemos e mentimos. Não devemos ter receio, mas continuamos a espera e se ao menos aparecesse alguém que pudesse nos salvar desse sonho e nos mostrar a realidade em que queremos estar. Se ao menos aparecesse alguém que pudesse nos mostrar que não somos apenas promessas além do amanhecer, que abrisse nossos olhos e dissesse que nos ama por tudo o que nós somos, se pudesse ao menos nos salvar de nós mesmos.
Não sabemos o que o amanhã trás, mesmo assim prometemos ser melhor que ontem e continuamos prometendo dia após dia. Até quando? Por enquanto vivemos com nosso ser espalhado, cobrindo mundo de falsas promessas, machucando e se perdendo. No fim aqui estamos, encarando um novo dia onde altos e baixos se misturam e nos levam a um imenso vazio de desistências, até desistirmos de tudo o que somos.

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